PMDB quer continuar na chapa presidencial até 2014
O projeto representa apenas mais uma situação em que o PMDB aproveita para dar os seus recados políticos aos demais integrantes da coalizão, sobretudo ao PT, que sempre reclama do
gigantismo do parceiro.
Com
o senso de sobrevivência apurado, e cientes de que a presidente Dilma
deseja
mudar as regras do setor apesar da pressão dos sindicatos e da resistência das legendas de esquerda, os peemedebistas encamparam a ideia. O principal articulador do projeto é o ministro da Previdência, indicado pela legenda: Garibaldi Alves (RN). “A presidente Dilma pode contar conosco, mais de 80% do partido votará a favor da proposta do governo”, avisa o líder do partido na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN).
Henrique
Alves não cita os petistas, mas é claro na provocação ao defender
a proposta redigida pela equipe econômica: “Apesar de alguns que ainda insistem em debates emocionais, nós temos a certeza de que um projeto como esse é importante para o país”, provocou. Vale também para o PSB, que aposta rescer nas eleições municipais para ser alternativa caso Dilma queira divorciar-se do PMDB em 2014.
Os
partidos de esquerda e os sindicatos estão especialmente preocupados
com os efeitos políticos da aprovação de um projeto dessa natureza pela proximidade do ano eleitoral. “Eu não entendo como o nosso governo concorda em assumir um desgaste desse tipo”, reclama o diretor executivo da CUT e coordenador do setor público da entidade, Pedro Armengol. “O PMDB não precisa se preocupar com esse desgaste, eles e o PSDB são a mesma coisa. Nós é que temos de carregar esse peso”, reclamou.
Na
semana passada, os sindicatos perturbaram os petistas, sobretudo o
relator
do projeto, deputado Ricardo Berzoini (SP), ex-ministro da Previdência e ex-presidente do Sindicato dos Bancários. Berzoini era titular da pasta, em 2003, quando o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou ao Congresso o projeto de reforma da Previdência. A base sindical do PT estrilou, parte dos parlamentares deixou a legenda para fundar o PSol e Lula só conseguiu aprovar a taxação de 11% dos inativos. Em 2005, estourou o escândalo do mensalão, Lula foi às ruas buscar apoio dos movimentos sindicais e sociais e, ao ser reeleito em 2006, sepultou qualquer mudança nova nas regras de previdência do funcionalismo público.
Os
partidos aliados sabiam que Dilma retomaria a proposta do fundo
de previdência privada do funcionalismo. Tanto que o PMDB reclamou muito ao ser informado de que o Ministério da Previdência ficaria com o partido. O senador Eduardo Braga (PMDB-AM), primeiro a ser cogitado para o cargo, disse “não, obrigado”, afirmando que seria mais útil ao país cumprindo seu mandato na Casa.
Sobrou
para Garibaldi. Um ano depois, o partido sente-se confortável.
Está adorando a chance de polarizar com os aliados de esquerda. “Eles não podem esquecer que somos da chapa presidencial. Não somos integrantes da base, somos governo”, lembrou um aliado do vice-presidente da República, Michel Temer. |
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terça-feira, 13 de dezembro de 2011
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