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terça-feira, 13 de dezembro de 2011


 PMDB quer continuar na chapa presidencial até 2014
O projeto representa apenas mais uma situação em que o PMDB aproveita para dar os seus
recados políticos aos demais integrantes da coalizão, sobretudo ao PT, que sempre reclama do 
gigantismo do parceiro.



  1. O PMDB vai aproveitar a votação do projeto que cria um plano de previdência 
  2. privada para os servidores públicos federais, que deverá ocorrer amanhã, para 
  3. dar um recado à presidente Dilma Rousseff: a legenda é fiel ao Planalto, confiável
  4. e merece continuar no condomínio presidencial em 2014, apesar do desconforto
  5. do PT com a aliança e de o PSB também estar de olho na vaga.
Com o senso de sobrevivência apurado, e cientes de que a presidente Dilma deseja 
mudar as regras do setor apesar da pressão dos sindicatos e da resistência das 
legendas de esquerda, os peemedebistas encamparam a ideia. O principal 
articulador do projeto é o ministro da Previdência, indicado pela legenda:
Garibaldi Alves (RN). “A presidente Dilma pode contar conosco, mais de
80% do partido votará a favor da proposta do governo”, avisa o líder 
do partido na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN).
Henrique Alves não cita os petistas, mas é claro na provocação ao defender
a proposta redigida pela equipe econômica: “Apesar de alguns que ainda insistem 
em debates emocionais, nós temos a certeza de que um projeto como esse é
importante para o país”, provocou. Vale também para o PSB, que aposta 
rescer nas eleições municipais para ser alternativa caso Dilma queira divorciar-se do
PMDB em 2014.
Os partidos de esquerda e os sindicatos estão especialmente preocupados 
com os efeitos políticos da aprovação de um projeto dessa natureza pela 
proximidade do ano eleitoral. “Eu não entendo como o nosso governo concorda 
em assumir um desgaste desse tipo”, reclama o diretor executivo da CUT e 
coordenador do setor público da entidade, Pedro Armengol. “O PMDB não
precisa se preocupar com esse desgaste, eles e o PSDB são a mesma coisa. 
Nós é que temos de carregar esse peso”, reclamou.
Na semana passada, os sindicatos perturbaram os petistas, sobretudo o relator 
do projeto, deputado Ricardo Berzoini (SP), ex-ministro da Previdência e 
ex-presidente do Sindicato dos Bancários. Berzoini era titular da pasta,
em 2003, quando o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou ao 
Congresso o projeto de reforma da Previdência. A base sindical do PT 
estrilou, parte dos parlamentares deixou a legenda para fundar o PSol 
e Lula só conseguiu aprovar a taxação de 11% dos inativos. Em 2005, 
estourou o escândalo do mensalão, Lula foi às ruas buscar apoio dos 
movimentos sindicais e sociais e, ao ser reeleito em 2006, sepultou qualquer
mudança nova nas regras de previdência do funcionalismo público.
Os partidos aliados sabiam que Dilma retomaria a proposta do fundo 
de previdência privada do funcionalismo. Tanto que o PMDB reclamou muito
ao ser informado de que o Ministério da Previdência ficaria com o partido.
O senador Eduardo Braga (PMDB-AM), primeiro a ser cogitado para o
cargo, disse “não, obrigado”, afirmando que seria mais útil ao país cumprindo 
seu mandato na Casa.
Sobrou para Garibaldi. Um ano depois, o partido sente-se confortável.
Está adorando a chance de polarizar com os aliados de esquerda. “Eles não 
podem esquecer que somos da chapa presidencial. Não somos integrantes
da base, somos governo”, lembrou um aliado do vice-presidente da República, Michel Temer.

Fonte: Folha do Estado

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