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quarta-feira, 11 de julho de 2012

Senado pode ter hoje 2ª cassação de sua história


Senado pode ter hoje 2ª cassação de sua história
Acusado de ligação com Cachoeira, Demóstenes será julgado pelo plenário
Clima entre colegas era de aprovar punição a senador, repetindo desfecho dado ao caso de Luiz Estevão em 2000
DE BRASÍLIAO Senado decide hoje, em sessão aberta, se cassa o mandato de Demóstenes Torres (ex-DEM-GO), que pode se tornar o segundo parlamentar, em 188 anos de história, a ser excluído da Casa pelos próprios colegas.
Um dos principais líderes da chamada "bancada ética" do Senado, Demóstenes foi flagrado em escutas pela Polícia Federal em situações que sugerem o uso do cargo em benefício do suposto esquema criminoso comandado por Carlinhos Cachoeira.
Além disso, é acusado de ter mentido em plenário quando disse que somente mantinha relação de amizade com o empresário.
Até hoje o Senado só cassou o mandato de Luiz Estevão (DF), em 2000, no escândalo de desvio de recursos das obras do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo.
PLACAR
Se for cassado, o ex-líder do DEM ficará inelegível até 2027 (oito após o término da legislatura para o qual foi eleito), quando terá 66 anos.
Entre os senadores, o clima é o de que a cassação de Demóstenes é inevitável. À Folha 52 dos 81 senadores disseram que votarão pela punição -são necessários 41.
Apesar de o voto ser secreto, a sessão de hoje será aberta e vai ser transmitida ao vivo pela TV Senado. As galerias do plenário também serão abertas aos cidadãos que conseguirem senhas distribuídas pelos partidos.
Os senadores ficam proibidos de revelar o voto, registrado eletronicamente.
Demóstenes será o último a falar, por meia hora.
Em 2007, uma das absolvições de Renan Calheiros (PMDB-AL) já havia ocorrido em sessão aberta.
À época, Demóstenes foi um dos principais algozes do peemedebista, acusado de ter as despesas pessoais pagas por uma empreiteira.
Ontem Demóstenes comparou a perda do mandato a algo pior do que a morte.
"A morte é até simples, pois é o fim definitivo. A cassação é uma morte com requinte de extrema crueldade, mata não só a pessoa, mas rouba-lhe a dignidade", diz ele, em texto aos colegas.
Demóstenes afirma que vai "resistir até o final", embora o regimento do Senado lhe permita renunciar até momentos antes da votação -seu advogado descarta a hipótese. O comando do Senado entende, entretanto, que uma eventual renúncia não suspende a votação.
No plenário, Demóstenes fez um apelo emocional afirmando que enfrentou um "massacre".
De: Folha  de São Paulo

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